News

In-Edit Brasil divulga a programação nacional de sua 18ª edição

O In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical anuncia os títulos nacionais selecionados para sua 18ª edição, que acontece entre os dias 17 e 28 de junho, em São Paulo. A programação reúne diversos títulos em première nacional e produções inéditas no circuito de salas e streaming, dedicadas a importantes nomes, contextos e territórios marcantes da música brasileira.

Na Competição Nacional, foram selecionados nove títulos, sendo cinco deles inéditos no país, fazendo sua première no In-Edit. São eles: Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan, que acompanha o processo de criação de um álbum coletivo de rap com mentoria de Edy Rock e Gaspar Z’ África Brasil; O Cravista, de Luiz Eduardo Ozório, que acompanha a vida do cravista Roberto Regina e sua contribuição pioneira à música erudita no Brasil; Pontos de Força, de Vânia Lima, que mergulha na vivência de Mateus Aleluia em territórios sagrados do Candomblé na Bahia; Tribalistas – O Baú da Hora Fértil, de Dora Jobim, registra o processo criativo do grupo Tribalistas em encontros marcados por afeto e colaboração; e Universo Circular – Jocy de Oliveira, de Dácio Pinheiro, que retrata a trajetória da compositora e pianista Jocy de Oliveira, que completou recentemente 90 anos, e sua atuação pioneira na música experimental no Brasil. 

Dona Onete – Meu Coração Neste Pedacinho Aqui, de Mini Kerti, que retrata a trajetória da cantora Dona Onete, do interior do Pará ao reconhecimento internacional; Ninguém Pode Provar Nada, de Rodrigo Pinto, que revisita a trajetória intensa do produtor Ezequiel Neves no rock brasileiro; Massa Funkeira, de Ana Rieper, que investiga o funk carioca como expressão de corpo, desejo e resistência nas periferias; e VIVO 76, de Lírio Ferreira, que mergulha no universo criativo de Alceu Valença a partir do disco “Vivo!” (1976), exibidos com destaque em outros festivais, completam a lista. O vencedor entrará no circuito In-Edit de festivais e será apresentado pelo diretor ou diretora no In-Edit Barcelona 2026.

Na Mostra Brasil, o festival apresenta nove documentários, sendo 4 deles em première nacional. São eles: Canecão – Tantas Emoções, de Bruno Levinson, reconstrói a memória de um dos palcos mais emblemáticos do país; Gonzaguinha – Da Maior Liberdade, de Susanna Lira, retrata a vida e as contradições de Gonzaguinha; Nem Tudo É Paz e Amor, de Betão Aguiar, filho do Novo Baiano Paulinho Boca de Cantor, revisita a contracultura a partir da perspectiva dos filhos do Tropicalismo, reunindo Moreno Veloso, Beto Lee, Anelis Assumpção e Nara Gil para refletir sobre o legado cultural deixado por seus pais; e Quando a Gente Vira Um – Mestre Ambrósio, de Cláudia Dias Perez Machado e Shinji Shiozaki, acompanha a trajetória do grupo Mestre Ambrósio. 

Já os documentários Apocalipse Segundo Baby, de Rafael Saar, que acompanha as transformações artísticas e espirituais da cantora Baby do Brasil; Ary, de André Weller, que revisita a trajetória de Ary Barroso em um ensaio que mistura ficção e arquivo;  Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos, de Paulo Severo, que celebra o disco icônico da artista carioca; Rei da Noite, de Cassu, Lucas Weglinski e Pedro Dumans, que mergulha no universo do empresário Ricardo Amaral;  Vou Tirar Você Deste Lugar, de Dandara Ferreira, que revisita a obra e o impacto popular de Odair José, exibidos e premiados em outros festivais, completam os selecionados da Mostra Brasil. 

A seção Brasil.Doc oferece uma seleção de seis documentários inéditos no circuito, sendo 3 em première nacional.  São eles: Arthur, o Gigante, de Ivan de Angelis, uma homenagem ao legado do baixista Arthur Maia; Canto da Gente – Um Filme Sobre os Tápes, de Matheus Borges, que resgata a trajetória do grupo Os Tápes e seu engajamento social; Gritos de Agonia, de Márcio Crux, revisita mais de quatro décadas do punk hardcore em Belém; Hip Hop Caboclo, de João Nascimento, que investiga os encontros entre o hip-hop e culturas populares brasileiras, com Gaspar Z’África, do grupo Z’África Brasil; O Homem do Fraque Verde, de Petrônio Lorena, um mergulho na tradição do Homem da Meia-Noite; e Punks do ABC, de Jairo Costa, que retrata a cena punk politizada do ABC paulista.

Na mostra Curta um Som, o festival reúne onze curtas que percorrem diferentes territórios, tradições e cenas musicais do país. Bárbara – A Força da Ancestralidade, de Edson Spitaletti e Sandro Cácio, destaca o papel das mulheres do samba na zona leste paulistana; Batuques da Fêra, de Uyatã Rayra e Pedro Patrocínio, investiga o samba rural baiano;Bira Rasta, Eu Sou a Onda, de Gregori Bastos, retrata a trajetória do músico Bira Rasta; Bregueragem, de Daniel Arcades, explora o universo poético do brega; Duque de Caxias, o Albergue do Rock, de Guilherme Zani, revela redes de apoio na cena metal; Nação Hip Hop: Cultura de Rua, de Laia Orisa, revisita um programa pioneiro da TV; Não Quero Ser Capeta, Não!, de Duna Dias e Leonardo Augusto, mistura ficção e memória popular; O Carnaval é de Pelé, de Daniele Leite e Lucas Santos, acompanha tradições do interior alagoano; Ressonâncias, de Ana Amélia Arantes, celebra a educadora Berenice Menegale; Silêncio na Boiada, de Luiza Fernandes, aborda a resistência cultural durante a pandemia; e Uma Orquestra no Contrabaixo, de Sergio Sbragia, resgata memórias da música sinfônica brasileira.

Nas Sessões Especiais, o IN-EDIT BRASIL 2026 apresenta dois títulos inéditos em festivais. A Noite de Alaíde, de Liliane Mutti, acompanha a trajetória da cantora Alaíde Costa, que celebra 90 anos, e seu retorno simbólico aos Estados Unidos em busca de reconhecimento. Já Flora & Airto – O Som Revolucionário, de Jom Tob Azulay, celebra a parceria artística e afetiva de Flora Purim e Airto Moreira, destacando sua influência na música contemporânea.

O festival este ano volta a ocupar as salas do CineSesc, Cinemateca Brasileira, Spcine Olido, Spcine Paulo Emílio (CCSP), Cine Bijou e Cine Matilha (Matilha Cultural), além de oferecer uma programação paralela com shows, debates, encontros com convidados especiais e a tradicional feira de vinil.

Outros títulos nacionais devem ser confirmados até a abertura do festival.

Filmes selecionados

COMPETIÇÃO NACIONAL

Dona Onete – Meu Coração Neste Pedacinho Aqui 

Mini Kerti | Brasil | 2025 | 90’

Por entre rios e matas do Pará, Dona Onete conta sua trajetória, desde quando foi professora e militante sindical até o sucesso internacional. 

Com as presenças de artistas paraenses como Gaby Amarantos, Jaloo e Seu Manoel Cordeiro, ela canta os banzeiros, os botos e os sabores da floresta, com humor e sabedoria, em uma celebração da Amazônia viva que pulsa em sua voz. 

(Première nacional)

Entre O Sucesso E A Lama 

Cristiano Burlan | Brasil | 2026 | 86’

Com a mentoria de grandes nomes do rap nacional, como Gaspar Z´África e Edi Rock, dezesseis artistas se reúnem para fazer um álbum inédito. Enquanto isso, o local em que se encontram, o Teatro de Contêiner, está no centro de uma disputa imobiliária envolvendo prefeitura, guarda civil metropolitana e outros interesses especulativos. 

O diretor Cristiano Burlan investe no cinema direto, colocando o espectador em uma posição privilegiada, entre o conflito e a criação artística. 

(Première nacional)

Massa Funkeira

Ana Rieper | Brasil | 2025 | 90’ 

Ana Rieper (vencedora da edição 2012 do In-Edit Brasil, com “Vou Rifar Meu Coração”) leva suas câmeras para o universo do funk carioca, tendo como ponto de partida o sexo.

Sem moralismos, o filme revela como, através do corpo, da dança, das letras e vivências de seus artistas, o funk expressa resistência, desejo, prazer e afirmação pessoal, tornando-se força vital e cultural da periferia brasileira.

Ninguém Pode Provar Nada

Rodrigo Pinto | Brasil | 2025 | 105’

As aventuras quase inacreditáveis do jornalista e produtor musical Ezequiel Neves, o “Exagerado Número 1”. Com mais de sessenta horas de entrevistas inéditas e precioso material de arquivo, acompanhamos sua trajetória, que inclui excessos, lorotas, verdades afiadas e encontros definitivos para a música brasileira, como com o Made in Brazil, Barão Vermelho e Cazuza. 

O Cravista

Luiz Eduardo Ozório | Brasil | 2025 | 104’

Roberto Regina é um senhor de 97 anos muito bem humorado, que conta sua trajetória musical com muita perspicácia e discorre prazeirosamente sobre seu instrumento, o cravo.

Entre lembranças pessoais e grandes realizações, o artista reflete sobre o legado pioneiro que construiu ao introduzir instrumentos de época na música erudita tocada no Brasil, enquanto enfrentava os desafios impostos pelo preconceito e pela resistência às mudanças. Uma jornada sensível sobre legado, arte, tempo e a coragem de romper barreiras.

(Première nacional)

Pontos De Força

Vânia Lima | Brasil | 2026 | 78’

Mateus Aleluia nos guia por lugares sagrados do Candomblé em Cachoeira (BA). Aqui, ele realiza uma profunda imersão em uma das regiões em que o diálogo entre a ancestralidade e a (re)existência se estabelece de maneira intensa. No registro sensível da diretora Vânia Lima, fé, conexão com a natureza e a memória dos antepassados se traduzem em música. 

(Première nacional)

Tribalistas – O Baú da Hora Fértil

Bora Jobim | Brasil | 2026 | 89’

O projeto Os Tribalistas é o resultado do encontro das mentes férteis de Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes. Desde o primeiro encontro entre eles, no início dos anos 2000, o filme registra o processo criativo do trio, em que o afeto e a genuína alegria de estarem juntos transparecem, seja em casa, no estúdio, no ônibus de excursões, nos hotéis ou no palco.

(Première nacional)

Universo Circular – Jocy De Oliveira

Dácio Pinheiro | Brasil/Alemanha | 2026 | 86’

Pioneira e figura central da vanguarda musical brasileira, Jocy de Oliveira introduziu no país a música eletrônica, no início dos anos 1960.

Prestes a completar 90 anos, ela revisita sua trajetória, compartilhando arquivos, partituras e cartas trocadas com gigantes da música como Stravinsky, Xenakis, Luciano Berio, Cage e Stockhausen. Mantendo-se inquieta e atual, ela faz reflexões sobre o tempo, a memória e a permanência de seu gesto criativo.

(Première nacional)

VIVO 76

Lírio Ferreira | Brasil | 2026 | 96’

O premiado cineasta Lírio Ferreira se debruça sobre a cultura, as influências, o nascimento e a interpretação das canções que formam o disco “Vivo!”, terceiro álbum do compositor e cantor pernambucano Alceu Valença, lançado em 1976. 

Tendo o próprio Alceu como condutor, mergulhamos de cabeça na psicodelia pernambucana, onde música, literatura e artes visuais se misturam, em uma viagem aos anos 1970, observada com as lentes de hoje e os olhos de amanhã. 

MOSTRA BRASIL

Apopcalipse Segundo Baby

Rafael Saar | Brasil | 2026 | 110’

Durante mais de quinze anos, o diretor Rafael Saar (“Yorimatã” – filme vencedor do In-Edit Brasil 2013) acompanhou Baby do Brasil com uma câmera, deixando-a livre para contar, sem travas na língua, sua trajetória, desde quando a jovem Bernadete Dinorah embarcou em um ônibus em Niterói, com destino a Salvador, para viver o sonho hippie. 

Através de imagens de arquivo preciosas, acompanhamos suas sucessivas transformações, de Baby Consuelo a Baby do Brasil, em que se observa uma constante: a espiritualidade.

Ary

André Weller | Brasil | 2025 | 71′

Misturando ficção e imagens de arquivos raras, Ary Barroso conta, através da voz de Lima Duarte, sua vida, desde a infância em Minas Gerais até os dias de glória no Rio de Janeiro. 

Passando pela parceria com os estúdios Disney, campos de futebol e encontros com personagens importantes na vida cultural brasileira, como Carmen Miranda, o resultado é um ensaio cinematográfico íntimo sobre a mente criativa do homem que inventou o Brasil Brasileiro.

Canecão – Tantas Emoções

Bruno Levinson | Brasil | 2026 | 87’

O Canecão foi um dos palcos míticos do país. Inaugurado no fim dos anos 1960, grandes nomes da música brasileira realizaram ali shows históricos. 

A partir de depoimentos inéditos e imagens de arquivo, o diretor Bruno Levinson reúne artistas, funcionários e jornalistas para reconstruir a memória viva de um espaço que marcou profundamente a cultura brasileira. Como diria o rei Roberto “são tantas emoções, bicho!”

(Première nacional)

Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos

Paulo Severo | Brasil | 2025 | 85’

A partir de um vasto material inédito, registrado por Paulo Severo em 1995, Fernanda Abreu conta o processo de criação e gravação do álbum “Da Lata”. Lançando mão de uma estética inovadora na mistura de pop eletrônico, funk e samba, o álbum se tornou um marco na música pop brasileira. 

Tomando depoimentos de personagens importantes na produção do álbum, o filme é uma celebração musical e visual, revelando a personalidade única da artista e o momento social e cultural do Rio de Janeiro de 1995.

Gonzaguinha – Da Maior Liberdade

Susanna Lira | Brasil | 2026 | 74’

Uma das vozes mais ácidas durante a ditadura, Gonzaguinha abre o jogo em uma entrevista para os jornalistas do Pasquim. 

A partir desta entrevista e com um vasto material de arquivo, a diretora Susanna Lira faz um retrato sincero e comovente do cantor e compositor de “Comportamento Geral”: censura, liberdade, o relacionamento com o pai Luiz Gonzaga, nada disso escapa à língua ferina e franca de Gonzaguinha.

(Première nacional)

Nem Tudo É Paz e Amor

Betão Aguiar | Brasil | 2025 | 88’

Os filhos da contracultura refletem sobre a criação dada por seus pais. Psicodelia, drogas, sexo e resistência contra a ditadura se misturam com fraldas, papinhas e trabalhos escolares. A partir de um ponto de vista privilegiado, eles observaram a beleza, as rupturas e as contradições de uma liberdade sem fim. 

Dirigido por Betão Aguiar, filho do “novo baiano” Paulinho Boca de Cantor, o filme evoca o espírito da época e pergunta: quanta coragem é necessária para atravessar os traumas e as maravilhas de crescer no caos das revoluções artísticas e comportamentais da contracultura?

(Première nacional)

Quando A Gente Vira Um – Mestre Ambrósio

Cláudia Dias Perez Machado e Shinji Shiozaki | Brasil | 2026 | 126′

A banda Mestre Ambrósio surgiu no início dos anos 1990, em Recife. A partir de uma extensa pesquisa musical, mergulhou na cultura popular de Pernambuco, aproximando tradição e experimentação, transformando-se em um dos pilares do manguebeat, juntamente com Chico Science & Nação Zumbi. 

A partir de arquivos, depoimentos e do reencontro dos músicos quase duas décadas depois, o filme observa como o grupo encontrou na cultura popular tradicional a base para transformar saberes ancestrais em sons contemporâneos.

(Première nacional)

Rei Da Noite

Cassu, Lucas Weglinski e Pedro Dumans | Brasil | 2026 | 80’

Ricardo Amaral comanda o espetáculo. Em um ambiente em que mistura teatro, vaudeville e escola de samba, ele conta como criou suas lendárias casas noturnas em São Paulo, Rio de Janeiro, Paris e Nova York. 

Com depoimentos do próprio Ricardo e de notórios frequentadores da noite nessas cidades, encontramos um universo em que golfinhos, mafiosos e celebridades como Luiza Brunet, Narcisa Tamborindeguy e Pelé dão conta de garantir a gandaia.

Vou Tirar Você Deste Lugar

Dandara Ferreira | Brasil | 2025 | 84’

Desafiando o moralismo vigente durante a ditadura militar dos anos 1970, Odair José tocou o coração de milhões de brasileiros, tornando-se ídolo das classes sociais mais desfavorecidas.  Mesmo sendo esnobado pela elite intelectual do país, ele abordou com honestidade temas espinhosos como aborto, prostituição, religião, tornando-se vítima da censura e do silêncio da indústria musical. 

Mais do que contar sua trajetória, “Vou Tirar Você Deste Lugar” nos oferece uma jornada poética sobre o imaginário subversivo de Odair.

BRASIL.DOC

Arthur, O Gigante

Ivan de Angelis | Brasil | 2025 | 98’

Arthur Maia foi um dos gigantes do contrabaixo no Brasil. Acompanhando artistas como Gilberto Gil, Djavan, Lulu Santos, Ney Matogrosso, entre outros, Arthur se destacou desde cedo no cenário musical do país, fazendo com que o instrumento se tornasse um protagonista nos palcos e estúdios. 

Com depoimentos de grandes músicos, amigos e familiares, a trajetória deste exímio instrumentista é celebrada nesta homenagem.

(Première nacional)

Canto Da Gente – Um Filme Sobre Os Tápes

Matheus Borges | Brasil | 2025 | 77’

O grupo Os Tápes foi fundado em 1971 na pequena cidade de Tapes, no Rio Grande do Sul. Em 1975, o grupo lançou o clássico LP “Canto da Gente”, pela gravadora Marcus Pereira. Funcionando como uma cooperativa, a banda construía suas canções a partir das vozes de grupos marginalizados: peões de estância, trabalhadores rurais, povos indígenas e populações negras. Em plena ditadura militar, essa proposta estética carregava também uma forte dimensão política. 

No filme, a trajetória dos Tápes é reconstruída por seus integrantes e colaboradores, que revisitam a história e o impacto cultural do grupo.

(Première nacional)

Gritos De Agonia – Uma História Do Movimento Punk Hardcore Em Belém Do Pará

Márcio Crux | Brasil | 2025 107’

Marcada por fortes contrastes sociais, Belém muitas vezes se revela uma cidade dura e implacável. Em um cenário que oferece poucas perspectivas de futuro, um movimento de resistência ocupa ruas, praças e palafitas, enfrentando o provincianismo, a decadência e o abandono, enquanto ecoa gritos de agonia e desespero.

A partir do diálogo entre o contexto histórico e a relação desse movimento com a cidade, o filme reúne depoimentos e valioso material de arquivo para contar mais de 40 anos da cena punk hardcore na capital do Pará.

Hip Hop Caboclo

João Nascimento | Brasil | 2025 | 77’

Road movie em que Gaspar Z’África e o diretor João Nascimento partem em direção às regiões Norte e Nordeste do país, realizando uma investigação poética entre a cultura popular brasileira e o hip-hop.

A partir de encontros com mestres e mestras, o filme revela  as raízes, os fluxos e as reinvenções das sonoridades que atravessam o país, misturando ritmos de matrizes africanas e indígenas, cordel, embolada, ladainhas e cantorias.

(Première nacional)

O Homem do Fraque Verde

Petrônio Lorena | Brasil | 2025 | 73’

A história e a mística do Homem da Meia-Noite, personagem icônico do Carnaval de Olinda.

Desde 1932, o boneco gigante percorre as ladeiras históricas da cidade, sempre à meia-noite do sábado para o domingo de Carnaval, conduzindo um cortejo que reúne mais de 300 mil foliões — entre manifestações de fé, devoção popular e a rica miscigenação religiosa brasileira.

Punks Do ABC

Jairo Costa | 2025 | Brasil | 90’

Surgido nas entranhas do sindicalismo dos anos 1970, o movimento punk no ABC se destacava por ser mais politizado que o da capital. 

A partir de depoimentos de personagens que construíram essa trajetória e farto arquivo histórico inédito, o documentário traz histórias pouco conhecidas do movimento punk e da cena underground do subúrbio operário. Além de revisitar o passado, o filme também aponta quais caminhos futuros o movimento pode percorrer. 

CURTA UM SOM

Bárbara A Força Da Ancestralidade

Edson Spitaletti e Sandro Cácio | Brasil | 2025 | 15’

Samba, religiosidade e sentido de comunidade – tudo isso representado na tradição e memória das mulheres que compõem a Velha Guarda e a ala das Baianas da Unidos de Santa Bárbara, escola de samba de Itaim Paulista, extremo leste de São Paulo. 

Batuques Da Fêra

Uyatã Rayra e Pedro Patrocínio | Brasil | 2025 | 23′

À procura do Batuque Perfeito, o mestre Bel da Bonita se depara com o Samba Rural de Feira de Santana-BA. Entre triângulos, tambores e pés-de-bode, seu trajeto revela uma cidade diversa e peculiar, no Portal do Sertão Nordestino.

Bira Rasta, Eu Sou A Onda

Gregori Bastos | Brasil | 2026 | 25’

Ubirajara Nascimento da Silva, o Bira Rasta,  foi um dos principais nomes do reggae no Rio de Janeiro. Do violão escondido na infância ao reggae militante e combativo da Baixada Fluminense, o filme traça sua vida, música e legado, revelando o homem por trás do carisma e da mensagem: “Eu não tiro onda, eu sou a onda”.

Bregueragem

Daniel Arcades | Brasil | 2026 | 17’

O universo brega como um tratado de poesia, cor, cheiro e som numa noite cheia de romantismo, com versos de poetas como Álvares de Azevedo e de cantores da noite como Paulo Humildes. 

Duque de Caxias, o Albergue do Rock

Guilherme Zani | Brasil | 2025 | 21’

Entre amplificadores e corações abertos, o documentário revela como uma casa em Duque de Caxias, na baixada fluminense, se tornou refúgio para bandas de metal de todo o Brasil, construindo uma rede de solidariedade que transcende os acordes pesados.

Nação Hip Hop: Cultura de Rua

Laia Orisa | Brasil | 2025 | 16’

“Nação Hip Hop” foi o primeiro programa da TV aberta no Brasil dedicado ao gênero. Veiculado pela TV Cultura e pela Band de Florianópolis, impactou milhões de espectadores, fomentando a cena local. 

Não quero ser capeta, não!

Duna Dias e Leonardo Augusto | 2024 | 30’

Misturando documentário e ficção, o filme conta sobre a lenda do Capeta do Vilarinho, misterioso personagem que arriscava uns passos de dança nos bailes das Quadras do Vilarinho, na periferia de Belo Horizonte. 

O Carnaval É De Pelé

Daniele Leite e Lucas Santos |  Brasil | 2025 | 21’

Pelé, um enfermeiro aposentado, relembra seus momentos como Mateus do centenário grupo Boi Tira-Teima, no interior de Alagoas. Enquanto costura o boi que dará vida ao folguedo, ele também costura suas memórias, revivendo experiências como brincante e carnavalesco. 

Ressonâncias

Ana Amélia Arantes | Brasil | 2025 | 25’

A educadora musical Berenice Menegale foi uma das criadoras da Fundação Artística de Belo Horizonte. Aos 90 anos de idade e ainda na ativa, ela mantém seus olhos no futuro e continua difundindo os ideais de liberdade, renovação e direito universal à arte, assimilados por ela desde a infância.

Silêncio na Boiada

Luiza Fernandes | Brasil | 2025 | 20’

Quilombo Liberdade, São Luís (MA). Aqui, vemos como o Bumba Meu Boi da Floresta de Mestre Apolônio atravessou os momentos de silêncio, distanciamento e mortes provocadas pela pandemia do COVID-19. Apesar deste cenário, o Boi da Floresta encontrou formas de dar continuidade e atualizar as tradições e garantir a sobrevivência de seus brincantes durante a maior crise sanitária mundial dos últimos cem anos.

Uma Orquestra no Contrabaixo

Sergio Sbragia | Brasil | 2025 | 25’

Durante o enterro de seu pai, o diretor Sergio Sbragia descobre que o velho contrabaixo de seu pai guarda um segredo: ele traz em seu tampo as assinaturas de todos os membros da Orquestra Sinfônica Municipal do Rio de Janeiro, nos anos 1950. A partir daí, vemos as histórias de uma geração de mestres da música sinfônica brasileira – imigrantes que vieram para o Brasil em consequência da II Guerra Mundial.

SESSÕES ESPECIAIS 

A Noite de Alaíde

Liliane Mutti | Brasil | 2025 | 100’

Nascida no subúrbio carioca, Alaíde Costa foi um dos principais nomes da primeira geração da Bossa Nova. Única voz negra do movimento, no entanto, ela foi ignorada pelas grandes gravadoras e, assim como Johnny Alf, outro pioneiro negro, foi impedida de participar da apresentação feita no Carnegie Hall, em Nova York, em 1962. Agora, aos 90 anos, ela volta aos Estados Unidos, em busca de um lugar que sempre foi seu, por direito. 

Flora & Airto – O Som Revolucionário

Jom Tob Azulay | Brasil | 2026 | 86’

Flora Purim e Airto Moreira revolucionaram o mundo do jazz e da música brasileira nos anos 1970. Ao lado de Chick Corea, os dois lançaram as sementes do fusion moderno, no álbum “Return to Forever” (1972), além de terem participações fundamentais nas gravações de “Bitches Brew”, de Miles Davis, e “Welcome”, de Carlos Santana. 

Neste filme, acompanhamos o duo em uma gravação histórica e emocionante realizada em 2024, guiada pela busca de uma expressão musical perfeita. A obra celebra o papel de Flora e Airto na música contemporânea, revelando também a força de sua parceria — um encontro afetivo e criativo marcado pela transgressão e pela reinvenção constante.